O livro dos gatos

Publicado em julho 20, 2010

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Primeiramente, peço desculpas pelo sumiço, mas tivemos uma gatinha convalescendo em casa. Para quem perguntou pela Agata, ela está ótima, se recuperando muito bem. Foi operada, colocou uma espécie de protese que incomodou muito nas primeiras semanas. Porém, agora já nem liga e ainda olha pra gente com cara de desprezo total:

E ela ainda ganhou mais um amigo, Maradona, que foi largado no portão aqui de casa num sábado. Olhem que coisa mais metida:

Os dois tem corrido muito e levado olhares de depreciação de Leão, que se recusa a aparecer em fotos.

Obrigada a todos que perguntaram por ela!

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Quem passou no meu blog pessoal, leu que vou postar duas vezes por semana por aqui. Hoje é segunda, dia de falar do outro projeto felino da casa: O Livro dos Gatos.

Estevão Ribeiro, meu marido, teve a ideia pensando na quantidade de gatos que passaram de maneira direta ou indireta por nossa vida. E seu ponto de partida foi a história de Odair José. O gato, não o cantor brega.

Ele parecia muito com Maradona, o branquinho folgado que habita nossa casa. Branquinho, pelo macio… seria o gato de calendário não fosse o fato dele morar no borracheiro.

Odair José estava na padaria do meu pai, para onde foi levado depois de um verão muito chuvoso – chuvas intensas inundam as galerias de esgoto e as ratazanas saem dos bueiros. Já teve dias de ficarmos na porta da padaria vigiando os bueiros com vassouras na mão para não deixá-las entrar.

A missão de Odair José nem era a de um caçador: só a presença felina já afasta ratos, camundongos e ratazanas. Porém, o nosso herói era cheio de opinião e fez a sua escolha. Abandonou o tumulto da padaria, de gente de um lado pro outro, e foi morar no borracheiro que ficava ao lado. Não demorou três dias para ele adquirir sua cor final, cinza-sujo. Ele ainda aprontou muito: implicava com os cachorros que passavam na rua (lembrando que em Icaraí a quantidade de pinchers e mini poodles é assustadora, explicando a valentia do gato), atormentava as gatas da mercearia do seu Armando (até o dia em que elas se irritaram e cairam em cima dele…), rasgava os tapetes da sala de Yoga que ficava em cima da mercearia.

Um dia, aquela esquina ficou pequena para ele e Odair José resolveu ampliar seus horizontes. Infelizmente, isso incluiu atravessar uma avenida super movimentada. Não sei direito nem quando nem como, pois só me contaram uma semana depois – minha irmã ficou quase um mês sem saber, ninguém teve coragem para contar.

Mas ficaram as lembranças. Dessa história de um gato feliz, bem resolvido e malandro, Estevão tirou o personagem do 1o capítulo do Livro dos Gatos.

O mais curioso é que eu tinha feito uma trovinha para Odair José na época em que ele foi pra padaria:

Pois então, era uma vez
Um senhor português
Que estava muito chateado.
“Pá, não agüento mais tanto rato!”

E isso durou até um dia
Que alguém falou com muito tato
‘Mas Seu Manuel, não sabia
Que para isso existe gato?’

Ele pediu e implorou
Tanto fez que arranjou
Um gato para a sua padaria

Mas por ironia do destino
O manhoso felino
Preferiu morar na borracharia!

***

Por hoje, é só. Na sexta, tem a primeira história que Ana contou para o Rei dos Gatos.

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